Monday, April 30, 2012

Sobre lobos

A loba pára no alto de uma colina e solta um uivo triste para a lua e as estrelas.
Ela está triste porque é uma loba, e lobos não têm asas. Lobos não voam. E ela queria voar, queria sentir a liberdade de um jeito que não é possível sentir quando se é preso ao chão. Ela corre, ela caça. Mas ela não pode ir onde quiser, não pode cruzar montanhas e rios e oceanos e vales profundos... Ela pode ir onde quiser, dentro de seus limites, que, para ela, são muito estreitos.
Mas lobos não foram criados para ter limites, lobos não são domesticáveis. E ela se entristece, pensando na vida que poderia ter se tivesse asas, e na vida que ela tem que ter por ser o que é, por ter os limites que ela tem.

E na sua caverna, quando ela dorme, ela sonha que tem asas. Sonha que está voando, e nos sonhos, dormindo, ela é tão livre quanto sempre quis.

Saturday, February 25, 2012

Sobre coisas que não somos

(...)

If we were our bodies
If we were our futures
If we were our defenses
I'd be joining you

If we were our culture
If we were our leaders
If we were our denials
I'd be joining you

(...)

If we were our nametags
If we were our rejections
If we were our outcomes
I'd be joining you

If we were our indignities
If we were our successes
If we were our emotions
I'd be joining you

(...)

If we were their condemnations
If we were their projections
If we were our paranoias
I'd be joining you

If we were our incomes
If we were our obsessions
If we were our afflictions
I'd be joining you

Alanis Morissette - Joining You

~*

It took a long long time for me to realize she is right. And that I was too close to ending my life, believing all of it was true, believing all of it to define our identities. Just too close.

It's not easy to remember those days. It's painful, hurts in a very deep place inside of me; those wounds, the ones I inflicted myself, they aren't scars yet. They still bleed from time to time, and hurt, and it's always a surprise when they do, it always get me unprepared to all that flow of bad memories and bad feelings and the inevitable hate for myself.

But it passes, it always do. With friends, laughing; and mostly, with him, safe in his arms and with the love flowing and healing, little by little.

~*

What I fear the most is that maybe, someday, I will think about ending my life and won't be able to think about anything or anyone to hold me in this life.

Saturday, December 31, 2011

Sobre 2011

Há um ano, no meu outro post da virada, eu tava feliz e não tinha como celebrar. Lembro vagamente da sensação - era como se eu tivesse superado pra sempre as coisas ruins, e fosse uma pessoa novinha em folha, uma página em branco.
Bom... Hoje não é bem assim que eu me sinto. Me sinto bem, claro; o ano foi diferente do que tinha esperado, mas trouxe boas surpresas, boas sensações e bons momentos. Ruins, também, mas isso não dá pra evitar. Olhando agora, é melhor que tenha sido diferente das minhas expectativas: tive muitos insights e pude olhar dentro de mim (metaforicamente, ainda não foi esse ano que fiz uma ressonância ou uma tomografia) com olhos mais livres, menos pendendo pra um lado ou outro. Foi como olhar pra outra pessoa; alguém muito conhecido, mas ainda assim, outra pessoa. E tudo, as atitudes, as decisões, os erros, as coisas de que me arrependo um pouco ainda, tudo, estava ali, claro tal qual visto num espelho desses mágicos que a gente lê em histórias (como por exemplo o espelho de Galadriel); e por mais doloroso que tenha sido olhar pra isso - e só eu sei quão doloroso tudo isso foi, quanto eu chorei - foi bom; cresci mais um pouquinho olhando pra tudo e pensando sobre tudo. De modo que acho que estou pronta pro que 2012 me trouxer (incluindo nessa conta o apocalipse zumbi).
~*

Mentira. Não estou pronta pro Show da Virada (esse de hoje e o do ano que vem menos ainda).
Nem pra vinheta da Globo, menos ainda se for cantada pelo Roberto Carlos.

Friday, December 23, 2011

Sobre ódios

E daí eu lembrei que não dei continuidade ao Desafio Musical de 30 Dias do Facebook. Fiquei um tempo meio que me recriminando, aquela história de nunca terminar as coisas que começo, etc, quando lembrei onde parei: uma música de uma banda que eu odeio.
Bom, não sei vocês, mas eu não odeio de fato nenhuma banda. Não consigo lembrar pelo menos. Ou eu não gosto da banda ou, se ela é muito ruim, eu desprezo. E como todos sabem, desprezo não é ódio, então achei que perdia um pouco do sentido da coisa.
E aí esses dias, com o ócio batendo profundamente na minha vida, me peguei pensando que odiar é um negócio muito forte. Você tem realmente que estar disposto a odiar algo/alguém, porque demanda energia, tempo e força de vontade. Por exemplo, peguemos o caso dos gays e dos homofóbicos. Uma coisa é você não achar certo casais do mesmo sexo, mas continuar vivendo sua vidinha de boa; outra bem diferente é achar errado, pregar que é uma abominação e incitar violência e/ou a inconstitucionalidade de o movimento gay pedir pelos mesmos direitos da população heterossexual.
Você, cidadão mediano, vivendo tranquilo na sua, vê um casal gay e talvez pense "ah, que coisa horrível", depois de cinco segundos volta a ler seu jornal, seu livro, regar as samambaias, não sei. Mas você não joga lixo na casa deles, você não bate neles com uma lâmpada, você não despede sua diarista porque ela é lésbica... É um preconceito, sim; mas é o tipo de coisa que dá pra ir remendando com o tempo, porque dá pra conversar e argumentar com pessoas assim, e eventualmente elas entendem - ou aceitam - que homossexuais sempre existiram, e que eles não tentam converter todo mundo (como se fosse uma seita ou sei lá).
Que odeia gays - ou negros, ou pobres, ou na'vis, sei lá - gasta uma quantidade absurda de energia e tempo da própria vida propagando esse ódio. Porque quando você vê algo que odeia, você fica com raiva, aquilo estraga seu dia, você xinga aquela situação no seu twitter/facebook/blog, você cria uma página na internet pra propagar seu ódio... Enfim. Entenderam meu ponto.
~*

Acho que a grande lição de moral nisso tudo é que preciso ocupar meu tempo de maneira mais produtiva ao invés de ficar filosofando sobre essas coisas imbecis.

Sunday, December 11, 2011

De presentes de Natal que eu não vou ganhar

1. Um elfo doméstico.
Ok gente, eu sei que elfos domésticos normalmente (vide Dobby) não recebem salário etc, mas eu não sou do tipo de mestra maldosa; cuidaria bem do meu elfo, permitiria folgas e, sempre que possível, daria uns bônus pra ele gastar como quisesse. E ele ganharia presentes de natal e coisas assim.

2. Um computador só pra jogar Skyrim. Ou o jogo pro xBox, tô aceitando.
Meio auto explicativo; meu note não tem capacidade de rodar o mega foda jogo Skyrim - talvez obra divina, para que eu não me perca eternamente no jogo e nunca mais veja o mundo exterior. Mas como meu primo recém adquiriu um xBox, se eu tiver o jogo posso ficar tranquila, ninguém na família curte esse tipo de jogo e ele vai ser meu para todo o sempre.

3. Sandman Absoluto.
É a mais perfeita coleção já criada. É lindo. É Sandman, gente, e tem quilos de extras... E é tipo duzentos reais cada, ou seja, qual a chance? (Papai Noel, please? .__.)

4. Um vale-curso de kendô.
Sou apaixonada por artes marciais desde sempre, e por kendô desde Samurai X. Imagina eu mandando aquelas técnicas muito loucas?! E nem dá pra argumentar que eu sou baixinha/magra blablabla, muitos samurais não eram lá essas coisas em termos de altura e força e mandavam super bem. Ou seja, seria foda.
~*

Se pensar em mais coisas, faço uma parte 2!

Monday, October 31, 2011

Sobre imbecilidades

E esses dias têm tido uns debates loucos nos grupos de emails. E se por um lado, um deles - sobre a PM no campus etc - seria interessante acompanhar, por outro dá uma fadiga. Porque os argumentos não mudam, são sempre os mesmos argumentos batidos sobre o sistema e o capitalismo e etc. Gente, será que ninguém sabe usar outros argumentos? Será que vai ser enternamente o mesmo papinho? Porque isso, de culpar o sistema capitalista etc, vem sei lá desde quando (pra facilitar, desde Marx e Engels), e tudo que a gente sabe fazer é remastigar o mesmo velho discurso cansado, sem acrescentar nada de novo... Nem ânimo pra organizar uma opinião a respeito eu tenho. Porque é bem fato que um punhado de pessoas de faculdades em geral aproveitam o âmbito da faculdade pra fumar maconha (entre outras dorgas manolo); também é fato que a segurança dentro dos campi tem se provado falha. Também é fato que o código penal brasileiro é mais velho que guaraná de rolha. Mas também é fato que toda a política e a estrutura da sociedade brasileira são mais velhos que o Marcelão que a Dercy. E daí a gente acaba concluindo que não só o buraco é mais embaixo, como também é mais largo e fundo do que a gente pode pensar num desses pseudo-debates intelectuais que se vê por aí, e que o problema é muito maior do que a gente pensa e que resolver isso não vai começar com um protesto pequeno, mal organizado, mal representado e manipulado. Desculpa. Mas não vai.
Não me perguntem se eu tenho a solução disso tudo, porque não tenho, não pensei nessa questão a fundo ainda e acho na verdade que o melhor que a gente pode fazer (visto que ninguém vai topar uma revolta tipo a ocupação de Wall Street - que também preciso averiguar melhor, mas vá lá) é seguir a moral pregada por cada um. É fácil demais defender que não haja policiamento no campus quando nunca sofreu uma violência; como é fácil defender socialismo usando roupa de marca.
~*

O outro debate eu achei desnecessário e nem me dei ao trabalho de pensar profundamente a respeito porque minha opinião já é formada e essa ninguém muda.
~*

Me chateia demais ver como nós mulheres somos imbecis com relacionamentos. Sério, atire a primeira pedra quem nunca teve um amor bandido ou pelo menos não tem uma amiga que teve um desses - senão vários. Tô num dilema fortíssimo a esse respeito, isso é muito difícil de analisar até porque eu mesma já fiz minhas cagadas, e machuca muito olhar os erros tão de perto...
~*

Monday, September 5, 2011

Bizarrices

Eu precisava compartilhar com vocês essa.
Estava eu, dormindo feliz e tranquila, quando começa o seguinte sonho: eu acordei. E levantei, e fui lavar o rosto e escovar os dentes. Até aí tudo tranquilo, pra mim nem tava sonhando, era super detalhado e realista (a água da torneira estava até gelada). Foi quando eu olhei no espelho e tinha uma orelha na minha testa. E assim, uma orelha completa, perfeitinha, com cartilagem e uma pintinha no lóbulo, com dois furos e um brinquinho no segundo furo (como minhas duas orelhas normais). E gente, uma coisa é acordar com uma espinha no meio da cara, mesmo uma espinha daquelas vermelhas, brilhantes, grandes e que eventualmente vão ficar com uma ponta amarela nojenta de pus. Dá pra disfarçar um pouco com maquiagem, ou cobrir com curativo; uma orelha... Como disfarçar uma orelha?? Bem, tive a brilhante idéia de deixar o cabelo na cara e ir na loja comprar bisturi - pra cortar fora a orelha, lógico - e agulha com fio - pra fechar depois. Foi quando meu inconsciente, não satisfeito com a bizarrice até então, me deu de presente um apêndice gengival nojento e enorme, e meu dente deslocado pra longe. Não deu, não consegui lidar com aquilo: acordei. Dessa vez, na vida real (que, até onde eu sei, pode muito bem ser um sonho; e eu de verdade ser aquela menina com 3 orelhas e um apêndice de gengiva).
~*

Uma idéia: explodir os prédios do governo do Brasil. Todos. Não só o central, como feito em V de Vingança. Todos, todos. Do jeito que a coisa anda, é nossa melhor solução, acreditem.
(recado para a polícia federal: não tenho conhecimentos sobre explosivos de qualquer tipo, não me prendam)

Tuesday, August 23, 2011

Sobre conhaque e uma música

Acho que não é à toa que as pessoas viram alcoólatras. Calma, não é meu caso; explico: quando você bebe a dose certa, o mundo dissolve, você esquece seus problemas e o vulgar não existe mais. Claro que, se você beber mais que a dose certa, seu fígado dissolve, seus problemas se resumem ao coma alcoólico e/ou morte e seu cérebro não existe mais.
Das minhas (não poucas) experiências com bebida, descobri que tem um estágio em que eu fico incrivelmente poética, filosófica, com a imaginação a mil, muito produtiva mesmo. Não aquela filosofia de bêbado que sai de lugar nenhum e vai pra onde Judas perdeu as botas; filosofia séria mesmo, sobre a vida o universo e tudo o mais. Se eu tiver na companhia das meninas, fico muito mais boba que o normal e acho tudo dez vezes mais engraçado do que normalmente acho. Depois disso, entro numa realidade meio nebulosa, na qual não lembro quase nada do que faço e acho deprimente a maior parte das coisas das quais eu lembro. Porque né. Acabar no próprio banheiro, com sua amiga, chorando só os deuses sabem o motivo e em seguida abraçando o vaso como se fosse o amor da sua vida não é bem algo digno de orgulho. Mas enfim.
Meu ponto é, não me julguem pelo meu amor ao choconhaque. Ou mesmo um golinho de conhaque puro (tô tentando me adaptar ao clima quente e manter uma dose saudável de álcool no sangue). Porque eu não ultrapasso meu estágio de sentir o calorzinho bom do álcool e sentir as engrenagens do cérebro funcionando melhor, como se estivessem recebendo lubrificante, porque eu paro de reprimir as idéias que podem ser boas mas precisam de um polimento antes.
~*

A fire burns
Water comes
You cool me down
When I'm cold inside
You are warm and bright
You know you are so good for me
With your child's eyes
You are more than you seem
You see into space
I see in your face
The places you've been
The things you have learned
They sit with you so beautifully

You know there's no need to hide away
You know I tell the truth
We are just the same
I can feel everything you do
Hear everything you say
Even when you're miles away
Coz I am me, the universe and you

And just like stars burning bright
Making holes in the night
We are building bridges

You know

When you're on your own
I'll send you a sign
Just so you know
I am me, the universe and you

KT Tunstall ~ Universe and U

Friday, August 12, 2011

Caso clínico

Identificação: Mariazinha, 12 anos, natural e procedente de Brodowski, solteira, azul.

Queixa e duração: manchas verdes em hemitórax esquerdo há 37 minutos.

História da moléstia atual: paciente refere manchas verdes, de 1cm, quadradas, pruriginosas, que melhoram com samba e pioram ao assistir O Rei Leão, há 37 38 minutos. Nega vômitos, queda de membros, alteração do formato da cabeça.

Investigação dos diversos aparelhos: nada digno de nota.

Antecedentes pessoais: nega cirurgias, transfusões e peso ao nascer.

Antecedentes familiares: não conheceu os pais.

Exame físico: bom estado geral, descorada +++++/++++, anictérica, acianótica, anaeróbica ao toque e percussão
_duas bulhas rítmicas normofonéticas em três tempos, com sopro vital 3+/6+ em foco mitral, sem frêmitos ou ictus
_ausência de pulmões
_pressão arterial: 132,72 x 78,12 mmHg

Hipóteses diagnósticas:
-lúpus?
-sarcoidose?
-Munchausen?

Conduta: receito anti-inflamatório; retorno em 31 dias.
~*

Qualquer semelhança com a realidade é puro delírio, esse é um caso completamente fictício e fruto de dorgas manolo riariariar. Quem adivinhar o autor ganha um prêmio a ser ainda definido pela autora desse blog.

Sunday, July 10, 2011

Blablabla de férias

Ah férias. Claro que elas são mais legais quando você não tem uma rec pra fazer, e seriam muito muito mais legais se não durassem só duas semanas. É, eu sei que a culpa de pegar rec é minha, não vou ficar culpando a professora (apesar de que, é preciso que se diga, a correção foi meio nabo-atômico-sem-lubrificante style). E eu realmente não queria pegar rec - não que as pessoas gostem de pegar rec, é que eu gosto muito de semio pediátrica. Não é legal, quando você tá cogitando ser pediatra e perder sua vida afinal pediatra não tem vida pegar recuperação. É, eu sei que não dá pra escolher a residência com base na matéria que você vai melhor (porque se desse, eu ia fazer algo em emergência porque olha nada bate minha nota em primeiros socorros) e de qualquer jeito minha nota da prova prática foi muito boa. Mas né.
E férias sempre tem aquela coisa de comer mais que o normal. Eu já como um bom bocado (mentira gente como quantidade normal pra uma dama da minha estatura, beijos balança!), nas férias, principalmente fazendo nada estudando, não sei, parece que eu fico com vontade de comer alguma coisa que não sei o que é e por isso destruo tudo que tem na despensa, na geladeira e (porque eu sou saudável gente verdade) na fruteira também. E olha, juro por Nossa Senhora das Promessas de Segunda Feira que vou correr, vou sim, dessa vez vai pra frente, porque não dá mais pra ser feliz com esse culote que se cortar dá pra fazer bacon e pururuca.
~*

Saudade é um trem ruim demais. Não é à toa que o termo é "matar saudades" porque pelos deuses todos, ninguém merece, é um trem que dói, incomoda. A melhor parte dela é quando ela não está mais lá.