E daí eu lembrei que não dei continuidade ao Desafio Musical de 30 Dias do Facebook. Fiquei um tempo meio que me recriminando, aquela história de nunca terminar as coisas que começo, etc, quando lembrei onde parei: uma música de uma banda que eu odeio.
Bom, não sei vocês, mas eu não odeio de fato nenhuma banda. Não consigo lembrar pelo menos. Ou eu não gosto da banda ou, se ela é muito ruim, eu desprezo. E como todos sabem, desprezo não é ódio, então achei que perdia um pouco do sentido da coisa.
E aí esses dias, com o ócio batendo profundamente na minha vida, me peguei pensando que odiar é um negócio muito forte. Você tem realmente que estar disposto a odiar algo/alguém, porque demanda energia, tempo e força de vontade. Por exemplo, peguemos o caso dos gays e dos homofóbicos. Uma coisa é você não achar certo casais do mesmo sexo, mas continuar vivendo sua vidinha de boa; outra bem diferente é achar errado, pregar que é uma abominação e incitar violência e/ou a inconstitucionalidade de o movimento gay pedir pelos mesmos direitos da população heterossexual.
Você, cidadão mediano, vivendo tranquilo na sua, vê um casal gay e talvez pense "ah, que coisa horrível", depois de cinco segundos volta a ler seu jornal, seu livro, regar as samambaias, não sei. Mas você não joga lixo na casa deles, você não bate neles com uma lâmpada, você não despede sua diarista porque ela é lésbica... É um preconceito, sim; mas é o tipo de coisa que dá pra ir remendando com o tempo, porque dá pra conversar e argumentar com pessoas assim, e eventualmente elas entendem - ou aceitam - que homossexuais sempre existiram, e que eles não tentam converter todo mundo (como se fosse uma seita ou sei lá).
Que odeia gays - ou negros, ou pobres, ou na'vis, sei lá - gasta uma quantidade absurda de energia e tempo da própria vida propagando esse ódio. Porque quando você vê algo que odeia, você fica com raiva, aquilo estraga seu dia, você xinga aquela situação no seu twitter/facebook/blog, você cria uma página na internet pra propagar seu ódio... Enfim. Entenderam meu ponto.
~*
Acho que a grande lição de moral nisso tudo é que preciso ocupar meu tempo de maneira mais produtiva ao invés de ficar filosofando sobre essas coisas imbecis.
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