Aí eu terminei de ler o livro da Tati Bernardi que a Bombs emprestou. Ela disse que eu ia adorar, que era a minha cara e coisa e tal, e eu não sou de dispensar livros que as pessoas me sugerem assim (mesmo Crepúsculo eu li, porque a Loira me falou que era bobo mas todo romântico e eu devia dar uma chance blablabla).
E olha, eu adorei. É a minha cara. Só não é a minha vida porque ainda não tenho 30 anos, mas é quase isso. Porque eu posso não ter pirado em todos os caras que foram pra cama comigo, mas é só porque tem aí na lista uns 4 que realmente foi aquele momento ai-preciso-dar que eu tenho às vezes. Todos os outros eu me apaixonei. É verdade. Odeio admitir isso e acabar com a minha personagem mulher-fatal, aquela heartless bitch, mas é a verdade. Não aquela paixão do tipo “eu te amo quero casar com você agora”, mas eu pirava neles. Cada coisa deles, cada detalhe. Eu também sou, pra eles, a louquinha intensa gostosinha e divertida, Tati. Aquela que é ótima pra fazer sexo, mas assusta os caras porque se deixa rasgar pelos olhares deles, pelos cachos deles, pelo físico imperfeito, pelo sorriso, pela voz, por tudo. Nenhuma menina que se preze, dessas pra casar, pode se dar ao luxo de ser assim passional. Não. Tem que ser comedida. Mas eu não sei ser assim, e meu coração derrete mesmo quando eu digo a ele pra ficar congeladinho no lugar dele.
Eu vejo o quanto eu sou boba no momento exato em que estou sendo boba. Quando eu fazia poesia mentalmente falando de quanto o reflexo do sol nos olhos dele era lindo; quando o primeiro “eu te amo” foi dito e quando foi ouvido também, todas as primeiras vezes de tanta coisa, e todos os “eu te amo” que se seguiram durante aqueles oito meses em que ele aguentou a namorada louca, que não deixava ele ver os filmes no cinema, que tinha dez vezes mais desejo que ele; quando eu me derretia toda vendo aquele um tocar violão; quando eu achei que uma traição era, afinal, prova irrefutável de quanto eu significava praquele outro; quando eu me vi jantando junto com o terceiro, e depois dormindo abraçadinho; tudo, todas as vezes que eu encontrava fulano; aquelas vezes todas que a gente dormiu de conchinha e beltrano me fez cafuné até eu fingir que dormia, pra poder ouvi-lo dormir e achar que aquele momento ia durar pra sempre. Céus, como eu sou boba. Como cada momento pequeno desses me fez explodir de felicidade, pra depois doer tanto que parecia que eu ia morrer. Cada vez que doeu, eu morria um pouco. Tenho certeza que se fizer algum exame de função cardíaca, vão descobrir que meu coração parece o de uma velha de tão judiado. “Moça” dirão os médicos “você tem que parar de fumar, comer coisas saudáveis, fazer algum exercício, ou vai ter um infarto em cinco anos”.
E eu tento, tento e tento de novo, não parecer assim desesperada. Porque eu não sou. Bom, mais ou menos. Eu não sou desesperada pra ter um filho, nem sei se quero tanto assim; não sou desesperada pra casar; nem sei direito o que eu quero. Mas parece que quando você vira e fala qualquer coisa, do tipo “quer vir em casa?”, “vamos sair no fim de semana?”, “sonhei com você” e semelhantes o cérebro masculino transforma cada uma dessas frases em “amo você quero casar e ter filhos JÁ”. Achava que todos os caras eram assim, meio paranoicos, até conhecer ele. Pra ele, eu podia falar que queria vê-lo no meio da madrugada, que ele não fugia. Aprendi que pra ele eu podia mandar sem neuras um “tô com saudades, vem me buscar?” que tudo bem, ele vinha. E eu me derretia toda vez que enchia a mão naqueles cachos a caminho da casa dele. E veja só! Quando acabou, não fiquei devastada; a gente não tinha nada demais, e mesmo com minha vida cheia dele, foi fácil tirar ele da minha vida, talvez porque daquela vez eu pude ser (pelo menos um pouco) louca por alguém, sem reservas.
Mas fiquei mal acostumada. Não aguento mais ter que fingir que não é nada. Que eu não adoro conversar com ele. Que não tenho vontade de transformar um beijo de oi em um beijo na boca, desses que começam como selinho e terminam com as línguas entrelaçadas. Odeio ter que controlar a louca que se apaixona por todas essas coisas pequenas. Odeio esse hábito horroroso que eu tenho de controlar minha passionalidade com minha racionalidade ao invés de juntar as duas coisas e tocar a vida. Odeio todas essas coisas que fazem de mim a amiga louquinha divertida gostosinha e legal pra curtir uma noite, um fim de semana, um mês. Queria tanto, tanto, ser a menininha normal, comedida, fofa, que serve pra amar e viver junto pra sempre. A menininha que não sente tesão nas horas mais loucas. Ser de mim mesma só a parte que acredita em amor eterno, jogar fora a parte de mim que acredita em paixão que arde. A menininha que leva na boa três meses sem fazer sexo, que nem pensa em sexo. Dessas que ficam constrangidas quando o assunto é sexo, que nem sabem o que é siririca e, se sabem, acham que é coisa de menina que não presta, assim tipo eu. E isso é só parte do que eu queria ser; é só parte da minha vontade de ser normal, de ser ajustada no mundo.
Mas eu sou eu, e eu sou meio louca, racional, emocional, sofredora, amante, teimosa, crítica (principalmente de mim mesma), meio lerda, sonhadora, romântica sim, fogosa também, curiosa, e mais um monte de coisas. Eu ainda não me amo, mal e mal eu me aceito; mas preciso aprender a pelo menos me aceitar, pra parar de me buscar nos braços de outra pessoa.
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