E aí a festa de fim de ano, novamente em família. Todo mundo bem vestido(eu, inclusive; posso me dar ao luxo de dizer que estou bonita, até, coisa rara me olhar no espelho e me aprovar assim, quase fazendo joinha e a ponto de dizer "issaê guria, arrasa"), sorrisos, boa e farta comida e música de festa (providenciada pelo vizinho).
Ainda assim...
Os primos e agregados vão lá pra baixo, jogar fodinha (seja lá que raios for isso; mas de qualquer modo, é polidamente referido como "o jogo legal" para não ferir os ouvidos sensíveis dos mais velhos).
Ainda assim.
Fiquei aqui em cima, precisava falar alguma coisa que não sei o que é.
Não estou triste, nem melancólica nem desanimada. Se tivesse que me definir, estou tão feliz, que não sei o que fazer. Na real, eu queria outro clima. Um clima mais jovem, não essa coisa tão insuportavelmente adulta de sentar e bater papo e comer... Uma festa, um lual; não essa música martelando, mas talvez aquelas músicas legais e dançantes dos anos 50/60/70, e até algumas dos anos 80 e 90. Dispenso o funk, mas só porque não tem quem aguente meu ritmo, aqui.
É uma coisa estranha, estar tão feliz e não ter como compartilhar. Toda vez que tento conversar sobre o que gosto, ninguém me acompanha, ninguém tem meus gostos - não necessariamente opiniões, só... Compartilhar interesses, a gente sente falta. Falar coisas sérias de um jeito leve, sem pessoas gritando nem nada. Discutir a Vida, o Universo e Tudo o Mais, mas parece que ninguém se interessa muito por isso, nessas bandas.
Falar de livros, de filmes. Do tempo, do prato que caiu no pé de fulana. Meu senso de humor e meus comentários, que tantas vezes eu sinto que cabem bem entre amigos, estão totalmente fora de rumo aqui. O que é engraçado, considerando que eu me divirto com (quase) todo tipo de opinião e comentário, e me delicio ouvindo e conversando com praticamente todo tipo de gente.
As pessoas são fascinantes. Esse é meu problema. Sou apaixonada demais pela raça humana, com todos os seus inúmeros defeitos.
Feliz 2011 a todos nós!
Friday, December 31, 2010
Tuesday, December 14, 2010
Da falta que o amor faz
Millionaire say
Got a big shot deal
And thrown it all away but
But I'm not too sure
How I'm supposed to feel
Or what I'm supposed to say
But I'm not, not sure,
Not too sure how it feels
To handle every day
And I miss you love
A sensação mais estranha do mundo é a que eu estou sentindo agora. Ao mesmo tempo, um vazio imenso, mas um vazio cheio de sentimento.
Segundo a Bea: "like I'm holding my heart in my hand, and like a fish, it chokes on oxygen."
A angústia veio tão subitamente e tão forte, tão poderosa e overwhelming, que não consegui sequer tentar argumentar com ela; me entreguei e chorei como uma criança - pela intensidade do choro, quero dizer; sabe, aquele choro que vem do meio do peito e parece que nunca mais vão acabar as lágrimas, e a gente acorda na manhã seguinte com os olhos absurdamente inchados porque caiu no sono ainda chorando, esse tipo de choro.
Demorou, mas consegui achar a fonte da dor... E é complicado, e pode parecer contraditório. Mas eu sou contraditória e complicada. Então tudo bem.
La verdad es que también
Lloro una vez al més
Sobre todo cuando hay frío
Conmigo nada es fácil
Ya debes saber
A princípio, parecia uma tarefa acima das minhas forças, abrir mão do sentimento. E como foi uma decisão doída e difícil, eu estava preparada para as consequências. Então segui em frente, claro, e não me arrependo não; parte do meu amor-próprio voltou quando abri mão do meu amor por ele. E eu sentia o vazio, mas tudo bem; era só o vazio da falta do sentimento, era superável apesar de eventualmente alfinetar e machucar.
Mas agora não foi assim. Foi um vazio que doeu pelo amor disponível, mas ninguém a quem amar, exceto eu mesma. Amor sem outra pessoa é vazio, daí a angústia e a dor. Eu sabia que ia ser difícil, e ia doer, mas nunca imaginei que poderia ser assim...
Se há um lado positivo nisso, é que estou chorando porque sinto falta de amor; e existem pessoas que não têm amor em suas vidas e sequer sentem falta. Ao menos, eu tenho um coração; dói, mas pode ser que um dia não doa e eu esteja amando, mesmo que não dê certo e o ciclo recomece.
Got a big shot deal
And thrown it all away but
But I'm not too sure
How I'm supposed to feel
Or what I'm supposed to say
But I'm not, not sure,
Not too sure how it feels
To handle every day
And I miss you love
A sensação mais estranha do mundo é a que eu estou sentindo agora. Ao mesmo tempo, um vazio imenso, mas um vazio cheio de sentimento.
Segundo a Bea: "like I'm holding my heart in my hand, and like a fish, it chokes on oxygen."
A angústia veio tão subitamente e tão forte, tão poderosa e overwhelming, que não consegui sequer tentar argumentar com ela; me entreguei e chorei como uma criança - pela intensidade do choro, quero dizer; sabe, aquele choro que vem do meio do peito e parece que nunca mais vão acabar as lágrimas, e a gente acorda na manhã seguinte com os olhos absurdamente inchados porque caiu no sono ainda chorando, esse tipo de choro.
Demorou, mas consegui achar a fonte da dor... E é complicado, e pode parecer contraditório. Mas eu sou contraditória e complicada. Então tudo bem.
La verdad es que también
Lloro una vez al més
Sobre todo cuando hay frío
Conmigo nada es fácil
Ya debes saber
A princípio, parecia uma tarefa acima das minhas forças, abrir mão do sentimento. E como foi uma decisão doída e difícil, eu estava preparada para as consequências. Então segui em frente, claro, e não me arrependo não; parte do meu amor-próprio voltou quando abri mão do meu amor por ele. E eu sentia o vazio, mas tudo bem; era só o vazio da falta do sentimento, era superável apesar de eventualmente alfinetar e machucar.
Mas agora não foi assim. Foi um vazio que doeu pelo amor disponível, mas ninguém a quem amar, exceto eu mesma. Amor sem outra pessoa é vazio, daí a angústia e a dor. Eu sabia que ia ser difícil, e ia doer, mas nunca imaginei que poderia ser assim...
Se há um lado positivo nisso, é que estou chorando porque sinto falta de amor; e existem pessoas que não têm amor em suas vidas e sequer sentem falta. Ao menos, eu tenho um coração; dói, mas pode ser que um dia não doa e eu esteja amando, mesmo que não dê certo e o ciclo recomece.
Saturday, December 11, 2010
Do rascunho-desabafo
Foi um choque desagradável saber que você passaria as férias conosco de novo. Não tanto por você, mas porque não confio na minha reação quando nos encontrarmos de novo. Claro, pode ser que seja puro receio, e medo; afinal, nas minhas memórias você é bem melhor (ou pior, dependendo da lembrança) do que de fato é.
Mas no fundo, esse medo, essa angústia, só reflete o que há de pior em mim, que é minha insegurança. Durante boa parte do tempo de minha adolescência, quando devia ter encarado o mundo, eu fugi dele, por pura covardia. Me deixei levar - bem conscientemente - para fora da realidade, me acostumei a buscar explicações para cada desilusão, desapontamento, falha em minha vida. E é muito mais difícil viver a realidade agora, quando tantas outras coisas, maiores e mais importantes, pedem que eu reaja à altura. E eu, em meu medo e covardia, me angustio frente a elas, crente que estão além do meu controle, além de qualquer capacidade que eu possa ter de resolvê-las.
E, no fundo, sei que não é assim, sei que nada se apresenta que esteja além das capacidades de enfrentamento de cada pessoa, e que, no fundo, tudo é somente reflexo de escolhas, ações e interações passadas - o que, claro, torna tudo mais difícil de encarar.
Sei que tenho opções, agora. Posso continuar a me fazer de cega e fugir do mundo, ou posso continuar a trilha que iniciei. Que iniciei, agora sei, quando decidi esquecer você. Quando me percebi dona de mim mesma, incluindo sentimentos. É uma trilha que me ter afastado cada vez mais do meu passado adolescente, inconsequente - e, por vezes, das pessoas que o viveram comigo. Tem, inclusive, me afastado de mim - a "eu" covarde e medrosa. E essas características de agarram a mim a cada pensamento de dúvida que eu tenho, instilando o medo, a insegurança, minando a pouca auto-cofiança que consegui construir.
Mais de uma vez, me disseram que eu sou o "farol". Não me sinto nada como um farol, como um exemplo de força. Talvez esse seja a mesmo tempo um problema e uma vantagem. Sem muita auto-confiança, não sou detestavelmente arrogante; mas, sem auto-confiança alguma, me sinto somente perdida. Se realmente sou um farol, um porto seguro, quem me ajuda a encontrar meu caminho? Faróis iluminam o caminho dos outros, não precisam de ninguém que lhes ensine isso, ou que lhes ilumine qualquer curso.
E, ao mesmo tempo, a quem recorrer? Minhas lutas são minhas, não há quem possa lutar por mim, crescer por mim. O máximo que posso esperar é alguém que me abrace, e durma ao meu lado, e me acaricie os cabelos até dormir - como você fazia. Acho que essa era minha esperança e receio: que seja você o único capaz de fazer isso.
Hoje, sei que outros têm a mesma capacidade, talvez alguns até mais que você, de me fazer sentir bem. Mas temo que, para eles, eu seja insuficiente e que, pra sempre, você seja o que eu mereço, o máximo que posso conseguir.
~*
Escrito enquanto eu corria em círculos e batia a cabeça na parede (sim, sou multitasking, pegaël), é um texto muito íntimo e muito cru. Não editei nada do rascunho original em letra cursiva (minha letra de forma é a que a maioria conhece, e nunca consigo escrever nada decente com ela). Foi um desabafo.
É isso.
Beijinhos e suco de kiwi!
ps: e pelos deuses, ar condicionado!
Mas no fundo, esse medo, essa angústia, só reflete o que há de pior em mim, que é minha insegurança. Durante boa parte do tempo de minha adolescência, quando devia ter encarado o mundo, eu fugi dele, por pura covardia. Me deixei levar - bem conscientemente - para fora da realidade, me acostumei a buscar explicações para cada desilusão, desapontamento, falha em minha vida. E é muito mais difícil viver a realidade agora, quando tantas outras coisas, maiores e mais importantes, pedem que eu reaja à altura. E eu, em meu medo e covardia, me angustio frente a elas, crente que estão além do meu controle, além de qualquer capacidade que eu possa ter de resolvê-las.
E, no fundo, sei que não é assim, sei que nada se apresenta que esteja além das capacidades de enfrentamento de cada pessoa, e que, no fundo, tudo é somente reflexo de escolhas, ações e interações passadas - o que, claro, torna tudo mais difícil de encarar.
Sei que tenho opções, agora. Posso continuar a me fazer de cega e fugir do mundo, ou posso continuar a trilha que iniciei. Que iniciei, agora sei, quando decidi esquecer você. Quando me percebi dona de mim mesma, incluindo sentimentos. É uma trilha que me ter afastado cada vez mais do meu passado adolescente, inconsequente - e, por vezes, das pessoas que o viveram comigo. Tem, inclusive, me afastado de mim - a "eu" covarde e medrosa. E essas características de agarram a mim a cada pensamento de dúvida que eu tenho, instilando o medo, a insegurança, minando a pouca auto-cofiança que consegui construir.
Mais de uma vez, me disseram que eu sou o "farol". Não me sinto nada como um farol, como um exemplo de força. Talvez esse seja a mesmo tempo um problema e uma vantagem. Sem muita auto-confiança, não sou detestavelmente arrogante; mas, sem auto-confiança alguma, me sinto somente perdida. Se realmente sou um farol, um porto seguro, quem me ajuda a encontrar meu caminho? Faróis iluminam o caminho dos outros, não precisam de ninguém que lhes ensine isso, ou que lhes ilumine qualquer curso.
E, ao mesmo tempo, a quem recorrer? Minhas lutas são minhas, não há quem possa lutar por mim, crescer por mim. O máximo que posso esperar é alguém que me abrace, e durma ao meu lado, e me acaricie os cabelos até dormir - como você fazia. Acho que essa era minha esperança e receio: que seja você o único capaz de fazer isso.
Hoje, sei que outros têm a mesma capacidade, talvez alguns até mais que você, de me fazer sentir bem. Mas temo que, para eles, eu seja insuficiente e que, pra sempre, você seja o que eu mereço, o máximo que posso conseguir.
~*
Escrito enquanto eu corria em círculos e batia a cabeça na parede (sim, sou multitasking, pegaël), é um texto muito íntimo e muito cru. Não editei nada do rascunho original em letra cursiva (minha letra de forma é a que a maioria conhece, e nunca consigo escrever nada decente com ela). Foi um desabafo.
É isso.
Beijinhos e suco de kiwi!
ps: e pelos deuses, ar condicionado!
Monday, December 6, 2010
Retrospectivas e epifania
Engraçado como nossa memória funciona. Por exemplo: tenho várias lembranças dos anos de cursinho - tanto o primeiro quanto o segundo - agradáveis lembranças. E do colégio também. E evidentemente do primeiro ano de faculdade. Mas o segundo ano... É quase como se não tivesse existido. Lembro de uns poucos fatos, poucos dias, momentos, memórias. Talvez porque grande parte dos meus dias tenham se passado no meu quarto, em cima da cama (infelizmente, desacompanhada, antes que se façam comentários bobos), olhando pro teto, dormindo de dia e fazendo nada à noite.
Minha mais nítida lembrança de 2009 é o vazio. Eu me sentia vazia, cansada, morta por dentro - pra alguém que costuma apreciar as pequenas manifestações da vida, um ano inteiro com uma névoa cinza toldando a visão é um tormento e tanto.
Agora, esse ano foi rico em memórias e acontecimentos. Mas principalmente, rico no meu cotidiano - por mais que boa parte dos meus dias tenham, também, se passado no meu quarto (mais uma vez, leitores, desacompanhada), não era mais entregue ao torpor do vazio, mas em geral ao torpor do tédio mesmo. Não fugi dos meus pensamentos, e talvez por isso não tenha ficado num limbo mental.
O ano passou rápido e devagar. Rápido, porque o tempo passa rápido quando a gente não está contando. Devagar, porque aproveitei muito, então ele parece cheio.
~*
Um telefonema, um comentário ao acaso, e bastou para que eu quisesse correr em círculos e bater a cabeça na parede. Justo agora, que o equilíbrio estava de novo ali, palpável, alcançável. Por um bom bocado de tempo, fiquei em pânico puro, me sentia de novo uma frágil garotinha... Será que, afinal, nada tinha mudado? A calma seria resultado da mesma estratégia tão utilizada outrora, teria eu de novo construído uma muralha ao meu redor, recolhido os cacos da armadura de Valquíria, sabendo que esse caminho não é para mim (e talvez para ninguém)?
E veio a resposta: dependia de mim. A escolha era minha, como sempre foi aliás. E eu fiz minha escolha, há tempos: não importa o que de fato você sente, acha, pensa; importa o que eu quero receber, o que eu quero sentir não só por uns poucos momentos para depois mergulhar em culpa, remorso e insegurança. Não tenho que esperar somente por demonstrações de desejo e umas parcas mostras de uma afeição frágil, eu mereço mais. Não me iludindo, não por esse caminho; mas significa que eu não vou me contentar com o pouco que você tem a me oferecer, porque eu anseio pela reciprocidade do calor.
~*
Beijinhos e suco de kiwi, galerë.
Minha mais nítida lembrança de 2009 é o vazio. Eu me sentia vazia, cansada, morta por dentro - pra alguém que costuma apreciar as pequenas manifestações da vida, um ano inteiro com uma névoa cinza toldando a visão é um tormento e tanto.
Agora, esse ano foi rico em memórias e acontecimentos. Mas principalmente, rico no meu cotidiano - por mais que boa parte dos meus dias tenham, também, se passado no meu quarto (mais uma vez, leitores, desacompanhada), não era mais entregue ao torpor do vazio, mas em geral ao torpor do tédio mesmo. Não fugi dos meus pensamentos, e talvez por isso não tenha ficado num limbo mental.
O ano passou rápido e devagar. Rápido, porque o tempo passa rápido quando a gente não está contando. Devagar, porque aproveitei muito, então ele parece cheio.
~*
Um telefonema, um comentário ao acaso, e bastou para que eu quisesse correr em círculos e bater a cabeça na parede. Justo agora, que o equilíbrio estava de novo ali, palpável, alcançável. Por um bom bocado de tempo, fiquei em pânico puro, me sentia de novo uma frágil garotinha... Será que, afinal, nada tinha mudado? A calma seria resultado da mesma estratégia tão utilizada outrora, teria eu de novo construído uma muralha ao meu redor, recolhido os cacos da armadura de Valquíria, sabendo que esse caminho não é para mim (e talvez para ninguém)?
E veio a resposta: dependia de mim. A escolha era minha, como sempre foi aliás. E eu fiz minha escolha, há tempos: não importa o que de fato você sente, acha, pensa; importa o que eu quero receber, o que eu quero sentir não só por uns poucos momentos para depois mergulhar em culpa, remorso e insegurança. Não tenho que esperar somente por demonstrações de desejo e umas parcas mostras de uma afeição frágil, eu mereço mais. Não me iludindo, não por esse caminho; mas significa que eu não vou me contentar com o pouco que você tem a me oferecer, porque eu anseio pela reciprocidade do calor.
~*
Beijinhos e suco de kiwi, galerë.
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