Engraçado como nossa memória funciona. Por exemplo: tenho várias lembranças dos anos de cursinho - tanto o primeiro quanto o segundo - agradáveis lembranças. E do colégio também. E evidentemente do primeiro ano de faculdade. Mas o segundo ano... É quase como se não tivesse existido. Lembro de uns poucos fatos, poucos dias, momentos, memórias. Talvez porque grande parte dos meus dias tenham se passado no meu quarto, em cima da cama (infelizmente, desacompanhada, antes que se façam comentários bobos), olhando pro teto, dormindo de dia e fazendo nada à noite.
Minha mais nítida lembrança de 2009 é o vazio. Eu me sentia vazia, cansada, morta por dentro - pra alguém que costuma apreciar as pequenas manifestações da vida, um ano inteiro com uma névoa cinza toldando a visão é um tormento e tanto.
Agora, esse ano foi rico em memórias e acontecimentos. Mas principalmente, rico no meu cotidiano - por mais que boa parte dos meus dias tenham, também, se passado no meu quarto (mais uma vez, leitores, desacompanhada), não era mais entregue ao torpor do vazio, mas em geral ao torpor do tédio mesmo. Não fugi dos meus pensamentos, e talvez por isso não tenha ficado num limbo mental.
O ano passou rápido e devagar. Rápido, porque o tempo passa rápido quando a gente não está contando. Devagar, porque aproveitei muito, então ele parece cheio.
~*
Um telefonema, um comentário ao acaso, e bastou para que eu quisesse correr em círculos e bater a cabeça na parede. Justo agora, que o equilíbrio estava de novo ali, palpável, alcançável. Por um bom bocado de tempo, fiquei em pânico puro, me sentia de novo uma frágil garotinha... Será que, afinal, nada tinha mudado? A calma seria resultado da mesma estratégia tão utilizada outrora, teria eu de novo construído uma muralha ao meu redor, recolhido os cacos da armadura de Valquíria, sabendo que esse caminho não é para mim (e talvez para ninguém)?
E veio a resposta: dependia de mim. A escolha era minha, como sempre foi aliás. E eu fiz minha escolha, há tempos: não importa o que de fato você sente, acha, pensa; importa o que eu quero receber, o que eu quero sentir não só por uns poucos momentos para depois mergulhar em culpa, remorso e insegurança. Não tenho que esperar somente por demonstrações de desejo e umas parcas mostras de uma afeição frágil, eu mereço mais. Não me iludindo, não por esse caminho; mas significa que eu não vou me contentar com o pouco que você tem a me oferecer, porque eu anseio pela reciprocidade do calor.
~*
Beijinhos e suco de kiwi, galerë.
2 comments:
Dia desses eu fiz, pela milésima vez, a mesma escolha: decidir que eu valho mais que isso, e que não posso (mais) me contentar com umas migalhas de tesão, quando o que eu sempre quis de verdade era muito mais que isso.
Mas espero de todo coração que você seja mais bem sucedida que eu tenho sido nessa empreitada...
=T
2009 foi o terror, mesmo.
E 2010 veio mais brando e mais feliz - ameno como um dia de primavera, que não é necessariamente ensolarado o tempo todo.
Seguindo a ordem, então, 2011 seria o verão! ♫Bom sinal, já é tempo de abrir o coração e sonhar♫
Só espero que o calor não seja ainda maior D=
Tá, viajei.
=*
Ainda bem que nossas consultas não são em vão. *girando na cadeira*
(aquele que se sente xD)
BRINKS AMORE!111
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