Sunday, June 20, 2010

Sobre café e Lady Gaga

Eu amo café. Mas não foi amor à primeira vista, foi um negócio assim aos poucos.
Eu via ele na xícara dos meus pais todas as manhãs, e a princípio detestava tudo nele: a cor, o cheiro e o sabor. Como alguém podia trocar Nescau/Toddy por aquilo era algo que fugia à minha compreensão - afinal, chocolate é doce, é perfeito, é chocolate oras.
Depois, passei a gostar do cheiro. Nos dias de faxina lá em casa minha mãe fazia uma pausa para fazer o café, o que significava que eu também podia fazer uma pausa, então o cheiro se tornou agradável tanto por si só quanto pelo condicionamento que ele me trouxe. Pavlov explica.
No segundo ano de cursinho, me rendi de vez aos seus encantos. Afinal, era o que me acordava de manhã, e o motivo da minha pausa toda segunda, quarta e sexta (dias em que a Lu trabalhava na casa da minha tia; ela sempre me levava um pedaço de bolo e uma xícara de café antes de ir embora, para eu fazer um lanchinho e descansar um bocadinho).
E aí fez-se o amor. Tanto porque ele me mantinha acordada quanto pelo sabor.
Na faculdade, as coisas mudaram um pouco. Porque em algum ponto do primeiro ano, fiquei imune à sua capacidade de acordar; precisava de doses cada vez maiores para fazer efeito (dorgas manolo q/). E aí eu só bebia mesmo pelo sabor, e a coisa passou a ser um relacionamento puro e despretencioso, sem interesses. Só o que eu esperava de uma xícara de café era o prazer do sabor e do aroma.
Mas, como todo relacionamento, caímos na rotina; só que meu amante começou a aparecer em novas formas para mim: sem açúcar, capuccino, capuccino gelado, vanilla, mocaccino, sorvete... As possibilidades se tornaram infinitas, saímos da mesmice do cotidiano para uma coisa diferente a cada dia, uma sensação diferente para cada apresentação. Cremoso, doce, amargo, gelado, quente, com leite, puro.
E sempre, sempre, o cheiro tão bom. Ah, o amante perfeito sempre esteve ao meu lado e eu nem sabia.

~*

Não me recriminem, mas tem uma música da Lady Gaga que resume pelo menos dois dos meus maiores dramas.

And after all the drinks and bars that we've been to
Would you give it all up?
Could I give it all up for you?

Eu seria capaz de largar minha porra louquice tão amada liberdade por alguém? Do outro lado, alguém seria capaz de largar tudo por mim?
Tá, eu não sou tão poia, sei que você não muda horrores sua vida e seus hábitos, mas também não fica a mesma coisa. E né, a dificuldade tá aí.

And after all the boys and girls that we've been through
Would you give it all up?
Could you give it all up if I promise, boy, to you
That I'll never talk again
And I'll never love again
I'll never write a song, won't even sing along
I'll never love again

Essa parte é o que eu queria falar pra você há algum tempo. Se eu abrisse mão do meu mundo para ser sua, você abriria mão do seu mundo - sua canalhice, suas garotas - para ser meu?
De certa forma, eu abri mão de muita coisa, por um bom tempo, e de algumas coisas, pra sempre talvez. Mas não para ganhar seu amor, para matar o que eu sentia. Mas aí ficou o vazio.E a frase, que ecoa meio como pergunta às vezes: I'll never love again. Will I?

Beijinhos, suco de kiwi aos visitantes e eu fico com minha xícara de café.

2 comments:

Meg / Bombs said...

ain q bunitinho, vc é um cachorrinho adestrado *-* tá, não. pq eu não quero fazer carinho atrás da sua orelha pra cada coisa q vc fizer certo.

sempre q ouço o título dessa música penso em "you leave me speechlees when you talk to me/ you leave me breathless..." the veronicas. nada a ver, mas tinha q comentar. é claro q vc vai amar de novo =] sem precisar abrir mão de vc inteira...

bjos e chocolate hersheys, que, de acordo com a Alt, tem 3 vezes mais cafeína do q café descafeinado (ou seja, nada, mas tá valendo)

Tokun said...

Awn, café = drogas, quando mais você toma mais você precisa '-'

tem sempre uma música dizendo o que a gente pensa, é só você continuar escutando elas pra achar uma que responda essa sua pergunta =]

se cuida yu =**